O carnaval carioca atravessou na Sapucaí.
Duas vezes: foi muito cedo esse ano e...
Censura, sim, pra mim houve censura. A despeito deu entender a posição da turma do kibutz.
E concordar com muitos que o Paulo Barros _ na minha opinião, um frescor de renovação pós-Rosa Magalhães e sua transformação da Sapucaí num pseudo-Municipal _ merecia nota zero no quesito bom senso.
Dito isto, de imediato, certos corolários vêm à cabeça.
Primeiro: o tal do precedente jurídico. Não sei exatamente o que isto significa, mas ouço amigos advogados falarem de acontecimentos prévios que são levados em consideração numa querela judicial em andamento.
Apesar de reconhecer o mau gosto de colocar um Hilter sambando num carro alegórico, com uma estrutura cenográfica composta por corpos, simbolizando judeus em campos de concentração, não posso ter opinião definitiva sobre tal. Porque? Porque não vi o carro.
Ainda bem que, anos atrás, a justiça de São Paulo não acatou o processo dum advogado judeu que acusava o filme do Mel Gibson de anti-semitismo. Eu vi o filme _ "A paixão de Cristo". Aliás, pra mim um filmaço e nada racista (ops!) anti-étnico.
Como foi bom a justiça em Sampa não ter acatado esta atitude isolada. Viva a democracia. O tal advogado teve direito a reclamar e eu de assistir ao filme. E aí se insere o tal precedente:
Paulo Barros escorregou antes mesmo de entrar na avenida _ ponto pacífico. Mas eu não sei se seu salto alto me geraria tanta náusea quanto uma suástica.
Eu não o vi sambando na Sapucaí.
Segundo: se os judeus têm o direito, amparados na justiça, de vetar um carro que, mesmo antes de ter entrado na avenida já foi considerado discriminatório, qual a palavra da sociedade brasileira _ no quesito escola de samba _ quanto a inúmeros desfiles com cidadãos brasileiros negros, sendo chibatados em carros alegóricos?
O samba, que nasceu subterrâneo, inclusive, como acervo de linguagens e comportamentos de cidadãos brasileiros excluídos, descendentes da forçosa diáspora africana, traduz um tanto desta antopologia pátria: somos um povo que pula, salta e ainda sorri como expressão de sobrevivência a angústias históricas.
Entre tantas, a de sermos o último país a "oficialmente" dar liberdade a seus escravos. Exceção à truculência dos afrikaners, de origem inglesa-holandesa, no país de Nelson Mandela.
E agora? Pedimos perdão aos afro-descendentes daqui? Aos brasileiros negros, pardos ou miscigenados por terem tido suas mazelas celebradas como alegoria? Epifania de dor secular através do carnaval?
Isto sem falar nos primeiros habitantes deste chão, nativos sem o pejorativo. Como já nos ensinou o estimado Leonardo Boff, não tivemos uma descoberta das Américas, pura e simples. Como observa este também ex-censurado, desta pelo Vaticano, nos anos 80, num processo no qual esteve envolvido o inquisidor Cardeal Ratzinger, "o que aconteceu aqui foi um atropelamento Ameríndio".
E o índios também já foram retratados sob dominação na Sapucaí.
Vamos a um engov. Intervalo.
Tudo isso é absolutamente constrangedor.
Entram na pauta temas como liberdade de expressão, politicamente correto, discriminação, precipitada ou não, etc...
Incomodou ainda neste imbroglio o fato da juíza que atendeu ao requerimento da Federação Israelita do Rio de Janeiro ter origem judaica.
Alguém já viu um Brasil x Argentina, mesmo sendo amistoso, ser apitado por um fã de bobó de camarão ou parrillada?
Alguém lembra de um presidente de fã-clube da Emilinha, entregando faixa de rainha do rádio a Marlene?
Nos tempos da Guerra Fria, "Encouraçado Potenkim” sendo incentivado nos cinemas americanos ou Sinatra maciçamente executado nas rádios de Moscou?
Então alguém, por favor, dê-me uma explicação sobre a isenção da Sra. juíza ao arbitrar sobre este tema.
Em nossa sociedade, esta cidadã brasileira, pode ocupar um cargo da esfera de poder de um juiz.
No seio de sua comunidade, como já presenciei como jornalista, ela não pode se posicionar em algumas áreas duma sinagoga por ser mulher. Aprecio ritos, mas repulso dogmas.
Um exemplo? Como é efusivo, encantador, um casamento numa cerimônia judaica.
Será que a Sra. Juíza terá a sorte de um dia julgar algum processo de alguma conterrânea étnica que se sinta discriminada pelo poder masculino na arquitetura de sua sociedade sangüínea?
Quando tudo isso passou pela minha cabeça, resolvi encarnar o advogado do diabo do meu próprio raciocínio.
Não, eu não seria a favor de um juiz negro para julgar uma causa discriminatória.
Mas e aí, como se faria também com o júri? Brancos, negros, índios, buscando maior isenção?
Será que não estou errado e a juíza está num exercício natural de suas funções, nem de longe, ferindo uma possível ética?
Bem, de repente vem à memória o patético episódio O.J. Simpsom.
A comunidade negra americana, em sua facção mais xiita, não queria saber de algo que possamos chamar de “verdade”. Ela queria o Sr. Simpsom, uma referência entre os afro-americanos (como não gosto deste termo), livre.
Ele matou? Isso seria um detalhe...
Simpsom está solto. Seu julgamento durou seis meses, tornou-se um happening midiático.
Acabou o julgamento, desistiram de tentar achar outro suspeito (sic!). Houve uma absolvição torta, eu diria... politicamente-incorreta.
Neste processo especificamente, a despeito do resultado, tiro o chapéu para a justiça americana.
O juiz deste caso tinha ascendência asiática.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
Bem-vindo ao mundo blogueiro, irmão. VOu divulgar seu espaço lá no Pentimento!
grande braulito, você agora vai poder desaguar a produção pós-livro. parabéns, irmão. marceu.
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