sexta-feira, 7 de março de 2008

Beber e comer: Amsterdam e Berlim


No início do ano, janeiro, eu e minha mulher estivemos em Amsterdã e Berlim. Duas cidades fantásticas!


A primeira, além de suas turísticas atrações discriminalizadas, como o distrito vermelho e os coffe shops, pelos museus arrebatadores, entre eles, o Van Gogh.
E um povo extremamente generoso ao reconhecer que sua língua pátria é quase tão intrincada quanto a rede de canais da capital holandesa. E, por isso mesmo, todo mundo, todo mundo mesmo, fala inglês, facilitando e tanto a vida de um não residente.

A segunda por se ter uma experiência rara, tratando-se de Europa, quiçá, mundo. Mais que um museu, Berlim é a própria história em céu aberto. Parece uma chaga que foi curada, mas no lugar de cicatriz _ dessas estéticas, de cirurgiões plásticos _ ficaram quelóides. Visíveis ou não. O muro que dividiu a cidade até 1989 está pralém de monumentos. Sua sombra parece acompanhar cada cidadão da Alemanha reunificada.

Vou escrever um pouco sobre vários aspectos observados nos dois locais em posts diversos. Começo por algo que adoro: o palato como testemunha etílico-gastronômica.

AMSTERDÃ (AMS)

Bebida.
Na foto abaixo está o cara dura, coração mole, Mr. John Roest. Ele é uma espécie de Joãozinho (querido sommelier do Terzetto/RJ) no quesito cerveja. Ou seja, John é um craque.
Descobrimos o local devido a um certo desleixo com nosso guia-livro _ realmente os da Publifolha são excelentes, mas o de Amsterdã não está atualizado, a ponto de falar em florins quando o euro já é realidade na Europa há anos.

Há uma rede para compra de cervejas, uísque e vinhos por toda AMS chamada Gaal&Gaal (pronuncia-se algo como Ráál and Ráál). Sou eno-simpático e ali encontrei rótulos franceses por barganha. Como em qualquer lugar na cidade, fomos muito bem tratados e nos indicaram um local, "imperdível", para tomar cerveja: In de Widelman. Cuja foto já constava em nosso guia...
Senhores, para quem é fascinado por sabores ímpares resultantes de lúpulo, cevada, malte, trigo, etc... este é certamente um dos melhores endereços para cerveja no planeta. Mais de 200 marcas, entre lata, garrafa e draft beer (o nosso chopp). Widelman poderia ser qualificado como uma das capitais do triângulo das bermudas formado por Holanda, Alemanha e Bélgica, tratando-se de cerva.

John e sua equipe conhecem cada copo e a forma mais adequada para servir uma trapista, ale, lager, stout, uff... A carta de cervejas é imensa, contudo o cardápio bem enxuto. Provamos queijos com mostarda condimentada e um embutido (lingüiça) defumado inesquecível com seu miolo tenro e uma pele levemente mais dura.

"Por favor, pão" _ peço. E a resposta é negativa. Não entendo e insisto: "Pão para acompanhar o queijo, a lingüiça...". A seu lado faz coro um barman que deixava o posto naqueles dias, devido ao término da faculdade de direito: "Pão não faz o menor sentido!"
"Como? Não entendi..." Bem, Mr. Roest quase rosna. "Qual o sentido de misturar cereal com o cereal que já há na cerveja?"


Aprendi. Amsterdã é linda até com chuva todo dia.

Preço médio (unidade) das cervejas: de três (3) a (6) euros. Endereço: http://www.indewildeman.nl/














BERLIM (BER)

Comida.
Viagem para mim começa seis meses antes. Como ínfimo empresário, cidadão de uma das classes médias mais arrochadas por seu paquidérmico poder público, no mundo, tenho de planejar um pulo internacional como esse com calma e cálculo.
Para quem não morre de ansiedade, há uma vantagem: viaja-se com avião pago. No meu caso ainda, mês a mês vou comprando a moeda para onde estou indo. Ou seja, na volta, não que seja pouco, mas ficam apenas os cartões de crédito.
Resultado: começo a viajar bem antes de colocar o pé no aeroporto de destino e ser recepcionado pela mescla de massa fria no ar mais chuva fina ao caminhar poucos metros até um táxi. Numa Europa sempre interessante assim, talvez até mais, quando cinzenta.


Nesta do tempo prévio e lista de locais a serem desvendados acabei por descobrir na intenet o restaurante Gugelhof _ espaço dedicado a sabores alsacianos. Fomos ao local na noite que chegamos. Não tínhamos idéia do quão perto do nosso hotel ficava o Gugel (íntimos... hahahah).
Nós optamos por hospedagem na área antiga de Berlim _ lado oriental (ex-comunista), especificamente no bairro cult de Prenzlauer Berg. Área alternativa, contudo, a apenas duas estações de tram de Mitte _ espécie de epicentro da cidade _ ou leve caminhada a pé caso a chuva não se faça tão presente


Gugelhof _ http://www.gugelhof.de/ _ entrou no mapa gastronômico alemão por dois motivos.

Primeiro: pratica uma mix cuisine de raiz. Se é que isso seja possível. Ou seja, dispensa insumos básicos ou temperos raros que não os do país. E apresenta uma cozinha riquíssima, autóctone, criativa no design de apresentação de cada prato mas, antes de tudo, alemã e saborosa. Estão lá a onipresente batata, o chucrute, carnes e embutidos distribuídos pelo cardápio.
Entradas como a que comemos _ terrines e salami defumado alsacianos, PRESUNTO DA FLORESTA NEGRA (obrigatório) e saladinha de chucrute. Além de uma sobremesa de chocolate, que não tivemos espaço no estômago para apreciar, devido ainda a um couvert desafiador.

Segundo: em visita ao país, o então já ex-presidente americano Bill Clinton esteve neste salão de muita madeira, bar charmosérrimo com profusão de cervejas e destilados, a convite do chanceler Gerard Schröder. Ele investiu num dos clássicos da casa, um prato que equilibra chucrute e batatas, com salsicha e carnes variadas.

Nós optamos pelo prato abaixo. Um guisado em panela de barro, com carnes de cervo, vaca e cordeiro marinados em vinho riesling, mais verduras e, adivinha, batatas. O charme de tudo: uma massa de pão crua servia de liga entre a tampa e o bojo da panela. O sinal de que o prato estava perfeito para ser servido? Simples: o pão assou, os ingredientes ficaram no ponto.

Gugelhof _ http://www.gugelhof.de/ _ preço médio: 30 a 40 euros p/pessoa













Nenhum comentário: