quinta-feira, 27 de março de 2008

Jabor na jugular


Prezados, copio abaixo a coluna obrigatória de Arnaldo Jabor na última terça em O GLOBO.
Está tão boa que até vou dar um desconto a este que é das verdadeiras figuras de calibre no cinema nacional (depois entro na seara Glauber, Cacá, etc...), além de provocativo pensador, quanto à validação do Lacerda.

O Rio de Janeiro hoje é uma cidade patética.
Capital de um estado que mais se assemelha a um roteiro de Dias Gomes anos 70.
Vejam certos nomes e atitudes:
Governador: Rosinha
Eminência parda: Garotinho
Maior malfeitor da cidade: Fernandinho Beira-Mar
Prefeito factóide: "as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", disse o César do IPTU que já quis até criar um relógio próprio.

Por figuras como estas vivemos um tempo inócuo.

Cidadania nesta cidade resume-se, da parte de alguns _ pior cego é aquele que não quer ver _ a observações lamentáveis como: “... mas em São Paulo, nem paisagem há. Cidade horrorosa, engarrafamento, etc..."
Eu nunca entendi porque esta comparação não é feita com Curitiba, Belo Horizonte, Natal ou Salvador.


Detalhe 1: vários conhecidos meus hoje só vão a Quadras como da Portela ou Império de van. Iam de carro, mas a nossa Faixa de Gaza, a abandonada zona norte onde nasci, está às moscas. Entenda-se zunido de bala.
Detalhe 2: fala-se da paisagem do Rio como se esta pertencesse à coletividade carioca. De segunda à sexta, o morador que não da zona sul só sabe o que é praia de dentro dum ônibus, táxi, van, etc...
E no final de semana, os que não possuem carro (e falta vaga devido à péssima administração pública) são transportados à orla _ redundância _ como sardinha.

O grande problema desta cidade é que ela está sitiada por formadores de opinião festivos.

Alguns andam criticando inclusive aquilo que, a meu ver, é das mais felizes frases sobre a antropologia carioca dos nosso dias: "Cidade partida" (livro primoroso do Zuenir Ventura). Poucos têm a coragem de rever conceitos e tornar-se ainda mais agudo como o Jabor.

Essa gente feliz olha tanto para o mar, realmente maravilhoso, que acaba ficando de costas para a realidade.
O senso crítico parece ter sido corroído pela maresia.


Música: "Saudade do Rio" (Dori Caymmi/Paulo César Pinheiro) _ na voz de Nana, é lógico.





















Um comentário:

Augusto Martins disse...

O Jabor acerta uma em cem! Acho que nessa acertou! Acho ele um escroto. Metido a dono da verdade, só manda "frases DEFEITO!" Chaaaaato e pretencioso. Um mala de plantão. Mas até o pior dos malas tem seu dia de gente boa!
Valeu B. Neto!
Abração,
augusto Martins