terça-feira, 22 de abril de 2008

A Igreja continua a crucificar o Cara

Tive formação religiosa de família. Sou neto e sobrinho de pastores evangélicos. Entenda-se bem: nenhum deles está ou morreu rico. E os quatro passaram quatro anos, no mínimo, em salas universitárias de Teologia, mais um tanto em alguma outra formação completa de terceiro grau.

Minha formação sócio política, próximo aos 20 anos, ganhou um verniz metafísico. Não sei bem como eu embasava naquela época algo como “eu acredito em Deus”.
Um primo, mestre de vida, grande intelectual brasileiro, tem uma ótima tirada para falar de sua crença: “Acredito Nele quando estou doente”.

Estou um tanto amargo existencialmente. Mesmo vivendo um grande amor, acredito que o fato de já ter passado metade da curva da minha vida anda confirmando certa miopia quanto a um futuro realmente humano nesta aldeia global. Apesar de ter adquirido experiências muito interessantes na minha área profissional e poder celebrar grandes histórias de amizade, ando me sentindo por demais aporrinhado.

Sou cidadão do dito terceiro mundo. Entrei para a faculdade no finalzinho de uma ditadura já desmantelada e parecia que fazer uma nova realidade seria, antes de tudo, vivenciar a liberdade de expressão. Mas hoje nos perguntamos: de que adianta? Tudo é dito, tudo é denunciado, tudo acontece à luz do dia, mas não há respostas suficientes em nosso tempo para demanda de perguntas.

Acredito sermos participantes do surgimento de uma classe média planetária que incorporou a falta de indignação. Um cinismo que contabiliza vexames como a corrupção, independente de fronteiras, como parte do jogo. “Sempre foi assim, sempre será...”, ouve-se.

E eu que acreditei um dia na Teologia da Libertação, hoje, sinto-me prisioneiro da heresia do cotidiano. Não sou, não fui, não serei cínico. Sou niilista.

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