Bem, hoje é sexta-feira.
Já que até agora não vi repercussão sobre a ótima entrevista com o ator Pedro Cardoso na "Revista" do Globo do último domingo e, tendo como contraponto o meu espanto pelo espaço dado ao não-ator Marcelo Madureira ao esculachar Glauber Rocha, apresento meu foco.
Sou da geração nascida nos anos 60. Eu bem na meiuca: 65. Estudei jornalismo na UFF, na época, única escola com graduação em cinema no Rio de Janeiro. Esse aspecto conferia ao Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) da universidade, então, um certo caráter "artístico" a quem freqüentou as instalações da faculdade de comunicação no Ingá.
Anos 80, ainda nos espantávamos com a revolucionária IBM e sua bola de letras giratória; ao nascimento dos yuppies no primeiro mundo; ao início da queda do bloco comunista; ao General Figueiredo e seus últimos relinches; às reuniões na quadra de esportes para assistir _ em ato de desobediência civil _ a "Je vous salue, Marie" do Goddard, censurado pelo governo do democrata José Sarney. Muita novidade, valores em mutação e lá naqueles longínquos 20 anos atrás, já tinha gente na faculdade dizendo: "Glauber é chato". Gente, diga-se de passagem, inclusive, de cinema.
Agora vamos lá: qual a pertinência desta celeuma que o Glauber seria um "merda"? De onde provém o mau hálito desta opinião: da crítica Bárbara Heliodora? do cineasta Fernando Meirelles? do ator Selton Mello? do teletela Luiz Fernando Carvalho? da eminência parda da cultura Juca Ferreira? do brilhante crítico cinematográfico Pedro Butcher? Não! Mas de Marcelo Madureira, importante figura na história da TV brasileira pela ousadia e criatividade gestados ao lado de seus companheiros em programas como TV Pirata e o hoje absolutamente desgastado Casseta & Planeta.
Talvez fosse fosse melhor ao humorista deter-se menos com inócuas frases de impacto e mais ao texto anêmico, talvez carente de esterco, que anda sendo plantado nas telas das salas de estar às terças-feiras.
Ou melhor, ele tem todo o direito a dizer o que bem pensa. O que me espanta é a reverberação midiática à sua brilhante reflexão.
Assisti a "Deus e o diabo na terra do sol" e "Terra em transe" com imenso entusiasmo. Sim, confesso, só terminei de ver "Barravento" por auto-imposição intelectualóide. Mas o assisti até o fim. Algo impossível na chegada da turma do Casseta aos cinemas: "A taça do mundo é nossa" é de uma boçalidade que, mesmo no DVD, ficou pela metade. O filme não é uma piada.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Marcelo Madureira: tatibitate na capa; Pedro Cardoso: falante para surdos 1
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