quinta-feira, 28 de agosto de 2008
B de Batman, B de Bush ??????
Aviso logo: não reconheço escopo em quadrinhos para divagações estéticas como o cinema de Fellini, as pinturas de Caravaggio ou a música dos Beatles.
Li muito: super-heróis por influência do meu irmão mais novo. Virei fã de Homem-Aranha e Demolidor. Nunca gostei da turma da Mônica.
E, até hoje, venero Asterix&Obelix, Mortadelo&Salaminho.
Realmente, ando ranzinza. Minha permanência na sala escura durou menos de 20 minutos no último e absolutamente ridículo Indiana Jones. Que realmente faria algum sentindo em páginas de quadrinhos, mas na sala escura, perdão, mas que desnecessário exercício de masturbação sem gozo.
Meu problema com o "Cavaleiro das trevas" começou na primeira fala do protagonista. Antes do filme começar, assisti ao trailer de mais uma ação caça-níquel em torno de Star Wars _ esse, no máximo, assistirei em DVD.
Quem sabe, influenciado por isso, veio a primeira dúvida: o cara de capa preta na tela era Batman ou Darth Vader?
Que voz foi essa escolhida pelo Christian Bale para compor o soturno personagem?
Uma coisa realmente não se discute: o falecido Heath Ledger, que já havia chamado a atenção em filmes como "O Patriota" (2000) e esbanjado talento em "Brokeback Mountain" (2005), vale o ingresso.
Seu Coringa é nefasto, cáustico, arrebatador sob alucinante desempenho.
Curiosamente, corrijam-me se estiver errado, minha memória não é das melhores, é a primeira vez que um inimigo do Batman é chamado, inúmeras vezes ao longo da película, de terrorista. Será que a Arkhan do Coringa consegue ser mais hospício do que Guantanamo?
Fui ao currículo do diretor Christopher Nolan. Descubro de sua parceria com o irmão Jonathan no roteiro. Chris fez filmes interessantes como o intrigante "Memento", o bem acabado "Insônia", e o pouco visto e interessante "O grande truque".
Sim, há algum mérito no roteiro, especificamente, ao confrontar bem e mal como bola em jogo de atletas chineses de ping-pong. A partir de pequenos blinks todos nós teríamos duas-caras, propõem os roteiristas.
Mas ponto final.
Que vexame a cena da explosão, reparem bem, gradual do hospital de Gotham. Assim como as Torres Gêmeas, o local desmorona aos poucos.
Não cai qual uma implosão como ocorreu algumas vezes com hospitais no Iraque sob absurdo bombardeio do Tio Sam. E a as forças armadas dos EUA qualificam este tipo de ataque, até que faz sentido, como "cirúrgico".
O hospital cai aos poucos na ficção também...
Coringa é um dínamo em causar histeria.
Entre homens bons, seres humanos normais, expõe cidadãos comuns "ao caos!" _ palavra de um dos policiais do roteiro quanto ao interesse do malfeitor.
A insanidade do Coringa chega a reverter a maldade estampada nas escaras de um ladrão que se propõe a ser imolado, jogando o detonador de uma mega bomba, que explodiria uma espécie de barca Rio-Niterói, lotada de pessoas, na baía da Guanabara de uma Gotham em pânico.
Janete Clair tende piedade de nós.
Este é um dos filmes mais fascistóides que já assisti na vida.
Ainda mais chegando às telas do planeta em 2008. Os irmãos Nolan parecem ter incorporado a simbólica missão de salvar George W. Bush.
O filme termina com uma mensagem patética, explícita: para se fazer o bem, muitas vezes é preciso incorporar a imagem do mal. Os meios justificam os fins? É isso mesmo?
Pra moi, not.
No próximo post, um filme imperdível sobre governos de arquiteturas políticas teoricamente opostas, China e EUA, mas de idêntica organicidade repressora.
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