Isso é algo tão fora do meu foco que ao pensar em escrever sobre este tema, a primeira bola dividida foi o português: como se escreve entre-safra? Com ou sem hífen?
Hífen, tá vendo, tem origem latina, mas é palavra terminada em "n"...
Se no prosaico português diário, neste caso, está livre de algum anglicismo, o substantivo entressafra (essa é a forma correta), não.
Como me irrita ouvir este substantivo, adjetivando a seleção brasileira. A canarinho.
Sabe porque?
Nós temos um técnico indiscutível hoje neste país? Não!
mas temos...
Diogo Cavalieri
Thiago Silva
Leonardo Moura
Nós temos uma CBF presidida à altura da história do nosso futebol? Não!
mas temos...
Lucas
Hernanes
Thiago Neves
Nós temos a seleção jogando mais no Brasil do que no Cazaquistão? Não!
mas temos...
Nilmar
Kléber Pereira
Alexandre Pato
Eu nem vou falar em Robinho e Kaká.
Do quanto acredito que Julio Baptista poderia ser um excelente cabeça de área _ sua posição de origem.
Do quanto acredito que Anderson poderia ser um excelente ponta-de-lança _ sua posição de origem.
Mas a cabeça da direção do futebol brasileiro parece estar aprisionada à mentalidade européia de se jogar bola.
O Dunga coitado, a despeito de alguma positiva liderança que possa trazer ao futebol pátrio, é um colonizado.
Na pior acepção que esta palavra possa ter.
Introjetou o futebol medíocre que deu títulos expressivos a seleções como Itália e Alemanha, sendo técnico da Seleção Brasileira de Futebol.
Algo próximo a montar um time de capados.
Capados em criatividade, na plasticidade do trato da bola, no encantamento para quem assiste a uma daquelas triangulações que ao longo das últimas cinco décadas parecem escrever novas regras geométricas.
O campo é retangular. Mas a esfera no pé de um brasileiro subverte análises de cateto e hipotenusa, seno e co-seno.
Olha o hífen aí de novo... só ele para tentar explicar jogadas que tangenciam o impossível.
Entressafra sim de planejamento administrativo e técnico, além da histórica reprodução da subserviência.
De jogadores não!
Estamos, em pleno século XXI, reproduzindo no futebol a mesma lógica de dois séculos atrás nesta terra que já serviu até para coroas de nobres covardes fugirem da guerra.
As senhoras abastadas adoravam ostentar seus adornos vindos da Metrópole. Lamentavelmente, invariavelmente, ouro expropriado deste chão.
Quem assistiu ao Zé Roberto brilhar no Santos há dois anos ou ao Imperador Adriano, até o meio deste ano, no São Paulo, sabe o que seria um campeonato brasileiro com jogadores deste nível, em volume, desfilando seu talento por Maracas, Morumbis, Olímpicos, Barradões, etc...
Não faltam jogadores.
Falta é mentalidade gerencial para valorizar o que eles têm de melhor.
Falta arquibancada que não sejam as da Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, etc... onde nossos conterrâneos enchem os olhos dos gringos.
Quer assistir a Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Pato jogarem junto?
No melhor estilo de reprodução colonial., já que a passagem é cara,
pague e assista-os, pelo pay-per-view.
A entressafra brasileira passa até pela língua _ fala-se do nosso futebol de cabeça baixa e até com sotaque.
Mas ela não chegou aos pés!!!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
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