terça-feira, 22 de abril de 2008

A Igreja continua a crucificar o Cara 2

Penso em Bento XVI e no novo presidente do Paraguai e fico chocado como estes senhores terminam por ser mais semelhantes que divergentes.

Bento XVI não abre mão de uma igreja católica conservadora. O próprio já até defendeu a volta de missas em latim. A igreja pode ser conservadora, mas Bento é reacionário. Latim?
Por ser muito inteligente, o primeiro papa alemão, teólogo respeitado, sabe que as duas polaridades mais sensíveis à raça humana são poder e sexo.
No primeiro quesito, a Igreja não se cansa de ostentar. Além do diálogo, como nenhum outro representante máximo religioso, com presidentes da maiores potências do planeta.
Num momento em que a ordem global privilegia o mercado sobre o humanismo _ riqueza é = a poder.

No segundo, em pleno século XXI, a igreja tem a petulância de rejeitar o uso da “camisinha”, discursar a favor do sexo como mero instrumento reprodutivo e ainda manter mulheres fora de sua grande hierarquia e tentar trancafiar a sexualidade de padres, bispos, etc...
Freiras menstruam. Padres são homens. Coitados, como deve ser constrangedor vivenciar a ejaculação noturna. O corpo precisa respirar.
Aliás, se fomos criados a imagem e semelhança de Deus, como está na Bíblia, Este certamente reconhece a epifania que só um orgasmo pode trazer.

Mas o papa vai à Meca do capital, critica seus apóstolos pedófilos, procura consolar os que foram molestados, contudo, não revê os preceitos de uma igreja eunuca. Ou melhor, pseudo-eunuca.
Até porque, como o Vaticano tem muito dinheiro, qual a diferença entre tirar um padre ou Michal Jackson da cadeia?
Nenhuma! Bilhões de dólares pagam o custo dos abusos nas sacristias do judiciário.

É tudo uma questão de mercado. Não é bispo Lugo?
O novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, cria da enfraquecida Teologia da Libertação, junta-se aos presidente de Venezuela e Bolívia para olhar o nosso país como o maior usurpador das riquezas da América do Sul. Pode até ser verdade, reconheçamos, temos partes de nosso território que foram ampliados sem qualquer diplomacia. Tal qual as fronteiras dos EUA em relação ao México.

Mas o presidente brasileiro, Sr. Lula, é uma homem que pretendeu representar uma renovação de poder executivo dentro do Brasil e a partir dele para o resto do mundo. Bem, com entusia$tas de campanha como Marcos Valério e José Dirceu, Luís Inácio da Silva, apesar do apoio público, eticamente, tornou-se mais um.
Ou na verdade, menos um a poder postular o título de nova voz do mundo emergente. A armadura moral do nosso presidente enferrujou ainda no primeiro mandato.

Resultado: estes nossos vizinhos sentiram-se no direito de bocejar e abandonar reuniões públicas, caso do ex-presidente Kirchner; invadir empresas brasileiras, Evo Morales; e ainda reafirmar através da persona sebosa de Hugo Chavez a sabedoria do grande Caetano Veloso, mais de 20 anos atrás: “Será que nunca faremos se não confirmar / a incompetência da América Católica / Que sempre precisará de ridículos tiranos?”

Agora, soma-se ao grupo o ex-bispo Lugo, que durante anos vestiu a mesma batina de colegas como Leonardo Boff. E qual a frase do ex-teólogo libertário para justificar uma outra relação com o Brasil quanto à Usina de Itaipu?
“Temos que adequar o pagamento do governo brasileiro a preços de MERCADO.”

Bispo: será que até uma construção ideológica também tem seu preço?

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